Adeus a Cunha Bueno

Antônio Henrique Bittencourt da Cunha Bueno, economista e político, morreu em São Paulo/SP no dia 22 de janeiro de 2024, aos 74 anos. Nascido na capital paulista a 17 de junho de 1949, era filho de Antônio Sílvio Cunha Bueno e Eddy Bittencourt Cunha Bueno. A sua vida pessoal foi dividida entre a capital do Estado e o interior paulista, particularmente em Palmital e Platina, onde a família mantém propriedades.

Ele comandou a Secretaria de Estado da Cultura no mandato de Paulo Maluf, de 1979 a 1982, período no qual Olavo Volpato era prefeito da Estância Turística de Itu/SP. Nosso Município deve muito a ele nessa área, afirma Olavo, que manteve laços de amizade com Cunha Bueno. “Ele nos ajudou a preservar o nosso rico patrimônio cultural e valorizou nossas entidades culturais, mantendo-as financeiramente e divulgando as suas atividades”.

O advogado Eduardo Arruda Passos, que foi Diretor de Cultura na gestão de Olavo, lembra que Cunha Bueno colaborou com as restaurações do edifício sede de Museu Republicano e da Igreja e Convento do Carmo; viabilizou a participação de servidores dos museus da cidade em eventos científicos nacionais e internacionais; apoiou o Museu de Arte Sacra de Itu; e incentivou a realização de concertos, conferências, cursos e exposições na cidade.

Da esq. p/ dir. Maria Angela Pimentel Mangeon Elias, Olavo Volpato e Cunha Bueno em exposição de arte realizada em Itu
Crédito: Arquivo Revista Campo&Cidade

Trajetória

Cunha Bueno formou-se em Economia na Universidade Mackenzie, trabalhou como corretor de seguros e ingressou aos 21 anos na política. Após a cassação do mandato de seu pai, que era deputado federal (o famoso “Chapéu de Palha”), pelo Ato Institucional Número Cinco, Cunha Bueno foi eleito deputado estadual em 1970 e deputado federal em 1974 e 1978 (ARENA). Afastou-se da Câmara Federal para assumir a Secretaria de Estado da Cultura em São Paulo, no governo Paulo Maluf. Depois ingressou no PDS, partido pelo qual foi reeleito deputado federal em 1982, 1986 e 1990.

Participou ativamente da Assembleia Nacional Constituinte, defendendo propostas, como o plebiscito para definir a forma de governo em 1993, mesmo presidindo o Movimento Parlamentarista Monárquico. O plebiscito manteve a república presidencialista. Em 1987, ele tinha sido admitido à Ordem do Infante D. Henrique no grau de Grande-Oficial especial, pelo então presidente Mário Soares de Portugal.  Em 1995, o presidente da República Fernando Henrique Cardoso admitiu Cunha Bueno na Ordem do Mérito Militar no grau de Comendador Especial. Cunha Bueno filiou-se sucessivamente no PPR e PPB, e reelegeu-se deputado federal em 1994 e 1998.

Nas eleições de 2002 Cunha Bueno foi candidato ao senado por São Paulo. Justificou a sua candidatura afirmando que depois de 28 anos como deputado federal, mais o mandato de deputado estadual, tinha acumulado uma experiência parlamentar e cívica que lhe serviria para atuar com muito mais eficácia no Senado. No desempenho dos mandatos, dizia ele “usei a minha própria experiência legislativa e administrativa e o legado que meu pai, o saudoso deputado Cunha Bueno, o ‘Chapéu de Palha’, me deixou e ensinou: as medidas para a proteção e ajuda à população, para o desenvolvimento de todos, sempre são prioritárias”. Cunha Bueno não foi eleito senador.

A causa da morte ainda não foi informada, mas sabe-se que ele estava doente, debilitado e usando cadeira de rodas. Seu velório foi realizado na manhã do dia 22 de janeiro de 2024, no Funeral Home, localizado à Rua São Carlos do Pinhal, 376, Bela Vista, São Paulo/SP. Em seguida, Cunha Bueno foi sepultado no Cemitério da Consolação, também na capital paulista.

Texto: Jonas Soares de Souza

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