ED 154 | Mai/Jun 2025
Futuros santos ituanos
Em razão do centenário de morte da religiosa Venerável Madre Maria Teodora Voiron, na edição de maio/junho, a Revista Campo&Cidade abordou a história dos cinco futuros santos ituanos e uma santa saltense.
Além de Madre Teodora, são postulantes aos altares da Igreja Católica também Padre Bento, Dom Gabriel Paulino Bueno Couto, Padre Bartolomeu Tadei, Venerável Madre Maria do Carmo da Santíssima Trindade (Irmã Carminha) e a saltense Serva Maria de Lourdes Guarda.
Cercada pela fervorosa fé e devoção de seu povo, com suas igrejas suntuosas, belas capelas rurais e inúmeras vocações religiosas ao longo da história, Itu/SP tem orgulho de ser conhecida também como “Roma Brasileira”.
Que os futuros santos ituanos guardem e protejam a nossa cidade!
História da madre e as moedas de ouro esquecidas
Guilherme Henrique, editor do site da Revista Piauí, conta uma história inspiradora no artigo “A madre e as moedas” (edição 214, julho de 2024). No fim dos anos 1960, enfrentando muitas dificuldades financeiras após os gastos com sucessivas reformas no Colégio do Patrocínio, as Irmãs da Congregação de São José de Chamberry decidiram se desfazer de
alguns móveis antigos.
Para avaliar o valor das peças que poderiam ser vendidas, convocaram Henrique Luiz Correia, um conhecido avaliador entre colecionadores de arte e antiguidades. Ao examinar os móveis, o especialista encantou-se com uma papeleira do século XIX, feita em jacarandá no estilo Dom José I – usada para guardar documentos e papéis, além de servir como escrivaninha. Fascinado com a peça, Correia pensou em comprá-la, mas o preço era muito alto. Ele mesmo o havia estabelecido.
Encerrado o trabalho de avaliação, Correia decidiu não cobrar nada do convento pelos seus serviços. Em agradecimento, as freiras lhe deram de presente a cobiçada papeleira. Correia tratou de restaurar cuidadosamente o precioso móvel e, de tanto o fuçar, descobriu um fundo falso. Ali estava guardado um saco de seis quilos, contendo 714 moedas de libras esterlinas em ouro 22 quilates. Junto ao saco, havia um bilhete:
“Sei que a vida está difícil, e estas libras representam a economia feita por minhas irmãzinhas durante um longo período. Talvez venham a servir para futuras reformas no convento.
Itu, julho de 1892.
Madre Teodora.”
Correia não titubeou: devolveu o saco de moedas às Irmãs de São José. O ouro foi empregado na reforma das instalações do convento e na expansão da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio. Henrique Luiz Correia faleceu em 1970, mas antes doou a papeleira ao Museu do Mobiliário Artístico e Histórico Brasileiro, que depois passou a se chamar Museu da Casa Brasileira. A papeleira foi recentemente apresentada na exposição “Sentar, guardar, dormir”, organizada pelo Museu da Casa Brasileira e pelo Museu Paulista/USP, no piso Jardim do Museu do Ipiranga, em São Paulo.
Texto: Jonas Soares de Souza

