Vicentini Gomez filma sua nova produção em Itu

O filme “Y Anhembi – Rio Tietê” mostrará todo o trajeto do famoso curso de água paulista, desde a Serra do Mar em Salesópolis até sua foz com o Rio Paraná

O filme Y Anhemby – Rio Tietê está sendo filmado, percorrendo todo o trajeto do rio Tietê, desde a Serra do Mar em Salesópolis até sua foz com o Rio Paraná, atravessando paisagens, histórias e contradições que ajudaram a moldar o Brasil.

A obra traz uma abordagem inédita ao narrar a história do rio sob a perspectiva dos povos originários, unindo elementos documentais, linguagem poética e cenas simbólicas com personagens indígenas. Estão no elenco Toni Gonçalves e Lucas Augusto Martins, representando a ancestralidade, o vínculo espiritual e a cosmovisão indígena em relação às águas

A produção é da Ilumina Serviços Culturais e de Toni Gonçalves, ator e produtor de cinema indígena, reconhecido por seu compromisso com a valorização das culturas originárias por meio do audiovisual. Com uma trajetória marcada por sensibilidade e protagonismo, Toni assina também a produção dos premiados filmes Encontro Inoportuno e Cantando pras Cadeiras, obras que reafirmam seu olhar para temas sensíveis, universais e que poucas vezes ganham visibilidade.

Selecionado pelo Edital Fomento CULTSP PNAB nº 20/2024 – Produção, Realização e/ou Manutenção de Projetos Culturais de Pessoas 60+ na Indústria Criativa, o projeto tem roteiro e direção de Vicentini Gomez, cineasta brasileiro com sólida trajetória no teatro, cinema e televisão. Seu mais recente longa, Doutor Hipóteses, conquistou 100 prêmios internacionais e garantiu sua inclusão entre os dez nomes mais destacados do cinema independente mundial em 2025.

Y Anhemby contará ainda com depoimentos de importantes pesquisadores brasileiros, como os historiadores Jonas Soares de Souza, André Figueiredo, João Carlos Cândido e Elton Bruno, além da antropóloga Bernadete de Castro, compondo um painel crítico e profundo sobre o papel do Tietê na ocupação do território, nos fluxos de navegação e na construção da identidade nacional.

As filmagens incluirão imagens em terra e aéreas (com drones), acompanhando os diferentes trechos do rio e revelando os impactos ambientais, os conflitos históricos e a permanência das tradições ribeirinhas. Um dos momentos marcantes será uma roda de viola ao redor da fogueira, evocando o nascimento da música caipira nas margens do Tietê.

Em 28 de julho de 2025, Vicentini Gomez e sua equipe filmam em Itu, em um ponto estratégico às margens do Rio Tietê, nas proximidades da foz do Rio Pirapitingui — região onde, segundo relatos encontrados em cartas jesuítas, há indícios da antiga Aldeia Maniçoba. O território guarda vestígios da presença indígena anterior à colonização, possivelmente relacionada a um aldeamento jesuítico estabelecido na confluência dos rios. Acredita-se que, assim como em outras partes do Médio Tietê, os jesuítas tenham implantado ali uma missão voltada à catequese dos povos originários, utilizando as rotas fluviais como caminhos de contato, dominação e resistência.

A realização do filme acontece em um momento estratégico: 2026 é o ano da COP 30, que será sediada no Brasil, ampliando o debate global sobre água, clima e os direitos dos povos originários. Y Anhemby se insere nesse contexto como um projeto que articula memória, cultura e urgência ambiental, com estreias previstas em festivais de cinema e circuitos culturais nacionais e internacionais ainda em 2025.

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