Confira artigo de autoria do médico Paulo Eduardo Bispo dos Santos Prado
Entre os dias 21 e 23 de maio de 2026, ocorreu, em Juiz de Fora/MG, o VII Congresso Internacional de Ciência, Saúde e Espiritualidade (CONUPES 2026). O encontro, organizado pelo NUPES, Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora, reuniu pesquisadores, profissionais da saúde, estudantes e convidados nacionais e internacionais em torno de um tema muito importante na prática clínica: a integração da espiritualidade ao cuidado em saúde.
Participei desse congresso não apenas como médico, mas como alguém que acredita que a assistência médica precisa alcançar o paciente de forma integral. Ao lidar diariamente com pessoas em sofrimento, percebo que a dor não é só biológica. Ela também envolve dimensões sociais, emocionais e espirituais dos pacientes e de seus familiares.
Estive acompanhado de minha esposa, a psicóloga e estudante de medicina no CEUNSP, Fabiana Prado, e participamos de discussões profundas sobre a relação entre espiritualidade, saúde mental, sofrimento humano, sentido da vida e prática profissional. Mais do que tratar a espiritualidade como uma demanda da assistência, a proposta do congresso a colocou como parte relevante da experiência de adoecer, cuidar e acompanhar o paciente em sua totalidade.
Muitos foram os palestrantes que expuseram suas pesquisas e vivências sobre a integração da espiritualidade na prática clínica, e entre os nomes mais relevantes do congresso estiveram dois pesquisadores de grande prestígio internacional. O Dr. Alexander Moreira-Almeida, psiquiatra, professor universitário e fundador do NUPES-UFJF, é uma das principais referências brasileiras no estudo científico da espiritualidade e da saúde. Sua trajetória acadêmica tem sido marcada pela defesa de uma abordagem rigorosa, ética e aberta ao diálogo entre ciência e espiritualidade. No congresso, sua presença reforçou a densidade intelectual do encontro e a seriedade com que o tema vem sendo tratado no Brasil.
A Dra. Christina Puchalski, professora titular da George Washington University, é referência mundial em espiritualidade e medicina. Ela é conhecida por sua atuação internacional na integração da dimensão espiritual ao cuidado clínico e foi a desenvolvedora da ferramenta FICA, que permite aos profissionais de saúde avaliar a espiritualidade dos pacientes de forma sistemática e objetiva. Também é reconhecida como uma das principais responsáveis pela inclusão do estudo da relação entre espiritualidade e saúde nos cursos de formação médica nos Estados Unidos. Sua participação foi um dos pontos altos do congresso, justamente por simbolizar a ponte entre pesquisa, prática assistencial e humanização da medicina.
Foram muitos os assuntos interessantes, e destaco as discussões que abordaram a integração da espiritualidade na formação e prática profissional, a relação entre religiosidade e enfrentamento do sofrimento, os limites éticos e científicos dessa abordagem na assistência à saúde e a necessidade de termos consciência e respeito pela liberdade religiosa dos pacientes e familiares.
Eu e Fabiana saímos do congresso com a convicção de que a espiritualidade, quando bem compreendida, estudada e respeitada, pode ser uma aliada importante na prática clínica. Ela não substitui tratamento, diagnóstico ou técnica, mas ajuda o paciente a enfrentar a doença com mais amparo interior, confiança, resiliência e dignidade, de modo especial nos momentos de maior fragilidade e em situações em que a finitude se aproxima.
O CONUPES 2026 reforçou ainda mais que a espiritualidade, quando abordada com responsabilidade, pode ajudar a medicina a reencontrar seu sentido mais nobre: o de cuidar da pessoa humana, e não apenas de doenças.
Que venha o CONUPES 2027!
Texto: Paulo Eduardo Bispo dos Santos Prado
Fotos: Coleção Paulo Eduardo Bispo dos Santos Prado














































































