Tradição, religiosidade e fé

Há anos, ruas do eixo histórico central são enfeitadas com lindo tapete no Dia de “Corpus Christi” em Itu/SP

Herança da Idade Média, trazida de Portugal da Ilha dos Açores, essa tradição chegou ao Brasil no período Colonial e se “radicou” em algumas cidades do Sudeste do País, inclusive em Itu, onde integrantes – crianças, jovens e adultos – das comunidades paroquiais e igrejas católicas dedicam-se ao trabalho de confecção do tapete e na perpetuação dessa prática religiosa.

Além desse aspecto, sem dúvida, é também uma forma de integração e sociabilização entre os católicos ituanos, atividade cercada de fé e amor a Deus. A tradição teve um novo capítulo no último dia 04 de junho, quando os tapetes de Corpus Christi foram novamente confeccionados.

Galeria de fotos em breve!

O ponto alto do evento foi a celebração da missa às 16h no átrio da Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária, presidida pelo pároco padre Carlos Rafael Casarin, a qual contou com a concelebração de párocos e diáconos, além da participação de ministros de todas as paróquias ituanas. A missa foi assistida por uma imensa multidão de fiéis. Em seguida, ocorreu a procissão, acontecimento de devoção, fé e amor ao corpo e sangue de Cristo – Corpus Christi.

“Dever de casa”
O diácono Estevão Scalet contou com orgulho que a tradição da confecção do tapete nas ruas de Itu no Dia de Corpus Christi se deu por iniciativa de seu pai Alcides Scalet (Cidão), na década de 1960. Professor de Matemática na rede pública estadual, Cidão teria convidado seus alunos para essa atividade. De pronto, os estudantes toparam a empreitada como se fosse realmente um “dever de casa”, guardando devidas proporções, e assim começou essa tradição na cidade.

Hoje são cerca de 1.500 pessoas envolvidas na confecção do tapete, que é feito com serragem tingida com corante industrial, casca de ovos e borra de café. Estevão explicou que, no dia da procissão, os trabalhos têm início às 5h da manhã e são concluídos por volta das 14h.

Como em Itu tudo é superlativo, até mesmo o tapete do Dia de Corpus Christi ganha imensas dimensões, estendendo-se por 13 quarteirões, trabalho coletivo feito por várias mãos que resulta numa verdadeira obra de “Arte Sacra”.

Texto e fotos: Tucano – arquivos Manoel Salvador e Estevão Scalet

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